Saúde e mídia na construção da obesidade e do corpo perfeito



Hábitos e práticas alimentares são construídos com base em determinações socioculturais. No mundo contemporâneo, a mídia desempenha papel estruturador na construção e desconstrução de procedimentos alimentares.
As práticas alimentares de emagrecimento inserem-se numa lógica de mercado impregnada por um padrão estético de corpo ideal. A indústria cultural move-se articulando diferentes campos, como empresas produtoras de mercadorias, indústrias de aparelhos e equipamentos e setores financeiros. É nessa dessa lógica que se produzem os paradigmas estéticos e, por conseqüência, discursos sobre práticas alimentares para emagrecimento.
Palavras, textos e imagens constituem uma intricada rede de relações que imbricam história e tecnologia num domínio específico que produz poder. O discurso científico funciona mediante regras preestabelecidas em determinadas condições de produção e é, assim, representação de poder e de controle social. O discurso midiático se transveste como síntese desses discursos científicos, mas apenas generalizante e os reelabora de forma descontextualizada e destituída de sua identidade.
A análise dos sentidos e significados presentes nos títulos das matérias da maior revista voltada para o público feminino adolescente mostra que o empenho em seduzir está presente na maior parte deles, não escondem significados ou sentidos, são claros e diretos por ser uma revista, que se identifica mais com a linguagem imagética, que apresenta pouco texto, exige pouca leitura e oferece muita informação rápida/instantânea.
Os discursos das matérias da revista sobre práticas alimentares para emagrecimento aparecem sempre proferidos por especialistas, artistas e adolescentes, atores sociais que, em razão de sua especificidade, encerram a sua participação como formadores de opinião, comportamentos e estilos.
No discurso dos especialistas existe um julgamento daquilo que é considerado acerto ou erro de uma abordagem científica. Tais discursos se mostram a partir de um referente técnico, evocando a ciência como forma de criar vínculos socioculturais e legitimar as informações veiculadas. Já os discursos dos artistas, a força do "dito" está nas imagens. Os significados e sentidos subjacentes a esses discursos são a fama, o sucesso, o poder, e a cultura narcísea e individualista da pós-modernidade.
A intermediação dos discursos é feita pelos repórteres e nela estão presentes de forma implícita ou explícita os interesses do discurso midiático. Nas matérias sobre práticas alimentares para emagrecimento, constatamos os interesses das indústrias ligadas ao corpo e, por conseguinte, a divulgação de um padrão estético corporal determinado é "quase imposição" por parte dos textos da intermediação.
Quanto às modalidades discursivas da mídia, encontramos mais modalidades divergentes daquilo que é preconizado pela ciência da nutrição.
De nada adianta prescrever dietas, divulgar práticas alimentares saudáveis descontextualizadas da forte influência que esse público recebe da mídia.
Para efeito de conclusão, ressaltamos a importância da dimensão educativa sobre nutrição, não se restringindo a padrões modulares estéticos.

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